
Onde estará a verdade?
Como isso tudo aconteceu?
Se não lembro dos detalhes, desconfio.
Enquanto vivo, descomunico
O que sinto - meu boicote.
Você me pergunta então:
- O que viu no meu olhar?
- Seu olhar? Ah, sim... o olhar.
Meu olhar se inibe com seu olhar, como se olhasse com seus olhos tristes. E outro olhar observa a cena de fora com olhos de quem proíbe.
As palavras construídas soam como mentiras, na mesma proporção da dúvida, minha.
Falo, mas nem eu mesma acredito.
Ouça-me, ouça com meus ouvidos! De repente, assim, entenda o que venho dizer. Ou acredite sem pestanejar.
- É isso! Está me ouvindo?!
Eu vi quando olhou pra ela com o olhar que nunca me viu. Mas meu olhar já olhava o dela antes disso existir. Por isso, não acho que olho pra ela pra lhe provocar, mas porque sinto prazer no olhar.
Meu olhar olhou o dela, o dela olhou o meu. Seu olhar como era? Já me envergonho de ver.
Sob os olhos dela que desejos hão de ter? Não sei. Fiquei cega olhando o outro olhar que nem era o seu.
:)
ResponderExcluirlindo...
ResponderExcluirHum...essa coisa de ver com os olhos de fora, me pego fazendo isso, em algumas ocasiões é quase constragedor, pelo menos pra mim, que tenho a impressão que fui pega! Talvez a impressão mais "saia justa" que há. Os olhares de fora são extremamente perspicazes, desafiadores pra quem tem o dom de ver além da façe e desconcertantes quando seu brilho ou lá no fundo a imagem nos denuncia.
ResponderExcluirÓtimo ler, concordar, encafifar e me divertir.
Devaneios de um olhar heterorregulado. rs
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