terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Recife

A bandeira colorida no alto...


... e o passo no pé.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Rádio MEC

FOTO: Elisa Gaivota

Ouça a gravação do "Ao Vivo Entre Amigos" na Rádio MEC :
gabrielabuarque.podomatic.com
- 11/11/2009 -

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Manifesto *

Semana passada me fizeram uma pergunta sobre os espaços do Rio de Janeiro para novos compositores. Na tentativa de fugir do padrão de resposta “só reclama e não faz nada para mudar” - que vem se multiplicando nos depoimentos de meus colegas de trabalho - comecei a enumerar alguns locais que nos são mais acessíveis. Sem qualquer espanto do entrevistador, depois de três referências, não me recordava de mais nenhum.

Raras e preciosas iniciativas como a da ARPUB (Associação das Rádios Públicas do Brasil) devem ser louvadas. A promoção de seu I Festival de Música levou às Rádios MEC e Nacional composições inéditas da nova geração na tentativa de revigorar a canção brasileira que, a esta altura, até ameaça de extinção sofrera.

Fico pensando o que seria dos consagrados nomes da nossa música não fossem os veículos de massa da época para divulgar seus trabalhos e incentivá-los através de grandes festivais, das rádios e outras mídias. Interesses políticos à parte, tais manifestações alavancaram fulanos como Chico, Caetano, Gil, Elis, Nara e tantos desconhecidos até então. Sobreviveriam os mesmos nos dias de hoje?

O cenário atual, cuja a quantidade de informação ultrapassa a capacidade mínima de absorção e entendimento, vem transformando artistas e suas mais admiráveis peculiaridades em produtos descartáveis e obsoletos a cada segundo que passa. O artista que, há alguns anos, lotava um teatro, por exemplo, atualmente busca soluções de marketing para atrair o público. Nunca foi tão importante a presença de convidados “especiais” e depoimentos de terceiros para agregar valor à sua imagem e, por conseguinte, ao seu cd.

É, no mínimo, paradoxal que, diante de tamanha riqueza, não haja interesse público em divulgar e preservar este material. As salas de concerto do “Patrimônio Cultural e Imaterial do Brasil” são as choperias cariocas, aonde, eu lhes asseguro, a última coisa que se deseja é ouvir música. É lamentável que parta de nós a defesa e propagação da música popular brasileira.


* Texto publicado no blog de Herminio Bello de Carvalho http://acervohbc.blogspot.com/

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Conto de Encanto

Teu sono me leve

Que breve te encontro

Num sonho e conto

Da gaivota de branco

Em voo manso

Pelo céu azul, reinando

Se apaixona por um canto

De pássaro distante

E desce à terra

Pra ver quem era

Essa voz de primavera

Que, de tão delicada,

Fez-se ouvir no mais longe nada

Pousa bela e na espera

Dorme embalada por aquela,

Que singela, ressoava na lembrança

Eis que, de repente

Melodia se faz presente

E a desperta num rompante

Era o pássaro cantante

Acompanhara com sua música

O voo da mais bela musa

Apaixonantes asas dançantes

Ela mesma, a gaivota

Amante.


(em fevereiro de 2009)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Caiana

A claridade do dia esgarçava as cortinas, tocando delicadamente meus olhos. O espreguiçar demorado de braços e pernas desvelava um desejo oculto de estender o tempo por minutos, horas - pausas inteiras sem ponteiros. Despertaria num rompante, não fosse a noite anterior e o pontear das melodias que teimavam em ressoar nos meus sonhos.

As tranças de mãos, chitas e sandálias desenham o círculo espelhado no céu. O cortejo segue entre bois, carimbós, cocos e tambores - danças e signos pra Lua. De certo a caiana contribuiu para um estado mais leve de adoração, quase flutuante eu diria. Era um lugar simples, uma praça central e sua igreja. E um festejo pouco comum pros dias de hoje.

Despertei ouvindo o canto de um galo. O espanto não foi maior porque, tempos depois, apesar de me situar na parte central do saudoso Estado da Guanabara, algo mais inusitado aconteceu. Ao longe, porém igualmente perceptível, um homem grita: “Olha o leeeeeeeite!” Levantei da cama e corri pra janela. Queria ver se era verdade. Mais ainda, procurava pela garrafa de vidro, cheinha de leite, com a vaquinha vermelha na frente, que enfeitava a nossa porta antigamente.

* Foto de Brínea Costa

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A primeira

O CANTO DO PAJÉ
(Heitor Villa-Lobos e C. Paula Barros)

Oh, manhã de sol
Anhangá fugiu
Anhangá rê rê
Ah, foi você
Quem me fez sonhar
Para chorar a minha terra
Guaracy rê rê
Anhangá fugiu
Oh, Tupã, Deus do Brasil
Que o céu enche de sol
De estrelas de luar e de esperança
Oh, Tupã tira de mim esta saudade
Ah, Anhangá me fez
Sonhar com a terra que perdi
Oh, Anhangá fugiu,
Fugiu, rê rê
Oh, manhã de sol
Rê rê de sol
Anhangá fugiu
Fugiu, a-há foi vc quem me fez sonhar
Chorar a minha terra
Guaracy rê rê
Anhangá, fugiu, fugiu,
Oh, manhã de sol,
Anhangá fugiu
Oh, manhã de sol,
Rê rê rê rê


(Poema anterior: "Noites Pesadas", de Mário de Andrade)