segunda-feira, 27 de agosto de 2012
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Concerto
Desatar os nós
e libertar
a voz
do corpo
vivo ou morto
é meu
sopro de energia
respira
respirar
respira ar
encher o peito
de vida
encher a vida
de você
cada passo
conserto
compasso
com certo
receio
começo do meio
caminho de ré
não sigo
conselho
com pausa
com zelo
sou só
recomeço
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Gangorra
E
ela gritou
Ecoou
no seu corpo o som que ninguém mais ouviu.
Ainda
sinto a vibração do antes me engolindo por dentro.
O
vazio encheu o peito e transbordou as lágrimas represadas.
Primeiras
em muito, desde não lembro como chorava tanto.
Brado
pranto calado tempo demais, ais de mim.
Cantou
novamente
Fechada
a cortina, despe a outra.
Limpa
o rosto e caminha com o silêncio.
Deixa
pelo chão a marcação da noite.
Volta
ao espelho
Espero
por ninguém
Volto
para mim
Desperta
outro alguém
Vai
e vem
sem
fim
sem
toque
sem
zelo
Desespero.
Ela
se ouviu
Eu
acordei.
![]() |
| Palhacinhos na gangorra, de Portinari |
segunda-feira, 11 de junho de 2012
A carioca de Minas
A
cidade respira “uais”
E
me pergunto os porquês
De
não veres os sinais
Teus
olhos embaçados de passado
Tua
boca num sorriso congelado
Diz,
sem cuidado – estás nua.
Como
este céu carregado de chuvas,
São
tuas as poeiras da fachada
Que
mascaram vias inteiras
Escoas
a vida pelas ladeiras
Um
tropeço nas correntes
E
logo segue em frente
Rumo
ao nada
Voltas
pra casa quinta-feira, 17 de maio de 2012
De volta
Passo apressado finge não sentir o frio que atravessa a meia e molha os pés. Não lembro de clima parecido no Rio.
Sentido contrário é o meu destino. Brigam corpo e vento na dança enviesada.
Cansada, sento num café e espero o som agudo passar, como os carros. Seco na vitrine acompanhada de açúcar e virtuais afetos.
Restam apenas os rios de chão quando abro o encurvador de chuva e desenho o caminho de volta pra casa.
sábado, 14 de abril de 2012
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