terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Hoje

Em dias assim

Quem dera não fosse

E o que seria de hoje

Se só existisse o amanhã?

Não diria que sou,

Tampouco estou (mas gostaria de ser)

Talvez encontre comigo

E se encontrar? O que digo?

Serei direta:

“Não se meta a questionar o tempo!

Pra que tanta pressa?”

Dormiria sem entender bem

Quem é você

Sonharia, então, até de manhã.

Neste sonho,

Minha vida eu mesma construía,

Dia após dia

Errava, sofria, ganhava, perdia

Vivia como vivo

Sonhava porque acredito

Seria como sou

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Pedido

Naquela noite

Senti-o em meus braços...

Eis o pedido e o que faço

Pra conter meu desejo?

Pois, que tudo o que vejo

Faz lembrar o lamento.

Cheiro o vigor de outro tempo,

Miro o retrato sem dor.

O que hoje transborda

Ontem escondia

Da luz, a certeza

Do olhar, a alegria.

Nas horas que iam

Escoava o pedido

Que, de gota, volta fluido

Enche o rio, corre os montes.


* escrito em 2007

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Ano Novo




- “Ei, você!” E de repente, percebe que não há saída. Que sua vida não basta, mas que por algum motivo está perto do fim. No último dia do ano, a última roupa manchada e o último pedido não atendido. 1, 2, 3, 4, 5... 6 silêncios na alma e os fogos coloridos na vista turva do que seria o amanhã.




* dedicado a Vicente Maiolino.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Noite Feliz

E, mais uma vez, num espaço de poucos minutos, ela repetiu a pergunta sem se dar conta que a mesma, fora respondida na primeira e segunda vez. A resposta, essa que soou como badalada seguidamente alta? Não lembrava mais. Por onde teria escapado? Será que se perdeu naquele pensamento novo que pra todos parece cansativo e chato? As pessoas perdem a paciência tão rápido ultimamente. Ah! Lembrei o que eu queria perguntar! Mas, que dia é hoje mesmo? Por que estou neste carro? Eu conheço essas pessoas, que bom. Devem me levar pra casa. Sim, é isso. Estamos voltando da festa na casa do meu filho. Eu me despedi dele? Não. Acho que não. Não sei... não lembro. Ah! Lembrei o que eu queria perguntar! E eu, jantei? Tinha comida lá? Pra onde estão me levando? Poxa, não presenteei ninguém. Vou chegar e ligar pra me despedir com calma. Hein?! Já perguntei o que? Não entendi. Às vezes não consigo acompanhar o ritmo das pessoas... até as pernas reclamam. Eu, calada? Nada... Ah! Lembrei o que eu queria perguntar! O que? Do que estão rindo? A essa altura as pessoas em volta se olhavam e riam num jogo de aparente compreensão, mas total descontrole e embaraço. Ai, como é bom estar em casa. E o meu filho? Me despedi dele? Será que ele vai ficar triste comigo? (Deita para dormir) Poxa, não dei presente pra ninguém. Eu tranquei a porta? (Levanta da cama devagar e caminha no escuro até a sala) Trancada!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Leve

Entorpece

breve

Quem bebe

E não esquece.

Qual prece,

Repete

Segue... segue.

Leve segue

o sonhar

De quem vem pra beira

do mar.

(dezembro de 2007)

Recife

A bandeira colorida no alto...


... e o passo no pé.