segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Ponto e vírgula


                               Luar inventus 
                               Invejo os amantes 
                               Uns sorrindo 
                               Outros, menos

Vênus ali
À espreita
Vela
Mas também
Alumia

Boca e pinta
Ponto e vírgula
                                                       
                                                  Lua e Vênus
                                                Ao vê-los nus
                                          No veludo do céu
                                          Eu lembro de nós
 

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Forças de atração

Nadava buscando a superfície. Não tinha mais ar para continuar debaixo d’água. Algo me puxava para o fundo, pesava meus braços e pernas. O peito apertado e os olhos vermelhos, cegos de pavor. Seria este o fim? Sem força para acreditar, deixei a correnteza levar meu corpo. E, como uma mãe embala o filho, bem junto ao seu coração eu adormeci, no fundo, do fundo, do mar. 

Colocou um pé atrás, pegou impulso e saltou. Ladeeeeeiraaaaa! No meio do caminho congelou o pensamento: “morri!”, mas tinha pouco tempo de vida e resolveu seguir com a gravidade até o fim. Foi quando o asfalto a parou que ouviu: “acorda!”

Toda manhã acordava sorrindo, levantava cedo e logo o calor penetrava sua pele. Passava o dia admirando aquele olhar, aquele único olhar capaz de hipnotizá-lo por horas. O mundo enfeitado à sua volta e ele só tinha olhos para o Sol. Da janela do quarto se via um campo de girassóis.

ali


No centro do fundo de mim existe um motivo. Não busco, nem calo. Desisto. O que me parece mais fácil. Parece apenas. A mesma força que move o ‘não’, corre para o lado oposto em poucos minutos. É labareda presa sem oxigênio, inquietude pueril.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

quinta-feira, 30 de maio de 2013

ficou

vai
fica sem chão ao descer
foi
em vão
volta
desamarra o nó
que unia os dois corpos
ouve os gritos da loucura
cara escolha
espalha a dor
sangra o chão de outra terra
fera adormecida
destrói coisas belas
e seca  em nódoas
as lágrimas
esfrega o chão da casa
varre o buraco do coração
em vão
veio
mas não voltou

quinta-feira, 25 de abril de 2013

pausa

vontade louca de devorar 
cada linha do pensamento
tentativa de redescobrir
desejos, fôrmas, olhares
ouvir o silêncio mais profundo
e entender o caminho
ai, que vontade!
de me ler
 
silêncio...

verdade ouvida
pulso involuntário
olhar de dentro
vasculha-se-esvazia
de outros eus
que não o seu
sem esse
antes ou depois
eu, hein?!