domingo, 15 de maio de 2011

Imagina...

“Imagina hoje à noite a gente se perder...” por entre os cantos dos desencontros, atrás da fumaça cinza verde mel dos teus olhos no breu instaurado - eu. O instante desnuda a tua imagem na multidão desfocada. Doce lembrança que hoje esperança te alcança: “Quem é você?” E tudo mais é fantasia real - o toque, o cheiro, o timbre, o acento. Abraço o espaço oco, vãos são os espasmos do tempo.

* ouvindo Imagina, de Tom Jobim e Chico Buarque.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Pintura musicada



Simplesmente lindo.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Tempografia

Lembro do céu estrelado da sua boca. De perder as forças nas pernas ao tocar seus lábios. Da rede, corri do cachorro, lâmpada azul na sala, colada ao espelho no chão do banheiro. Escada gigante levava à floresta. Olhos fechados, verde semáforo. Primeiro toque, segundo gozo, seguidos dias. E não mais cabia tudo o que sentia. Os lugares, as pessoas, a música, a vida. Ao seu lado conheci um mundo inteiro. E depois o medo. Não estava pronta pra voltar. Pra onde? Quem sou eu? Hoje nem lembro mais quem fui, quem foi. Pintei de cinza algumas cores e segui novos rumos com minhas pernas. Conheci um mundo inteiro além você. Também tive medo. Amei. Ao meu ver, nada seria se não fosse aquele dia. Apenas as cores mais coloridas.

* Inspirada no espetáculo Tempografia.

domingo, 24 de abril de 2011

Reencontro

Eu me desfaço

Reconstruo

Lembro em mim o que se perdeu

Guardo os meus dias de cores

Alvas e irreais

De novas dúvidas

Finjo uma vida

Sem medo

Corro de mim

Ao te rever

*canção composta em julho de 2007.

domingo, 10 de abril de 2011

Viva a OSB!



Vaiado por quase 20 minutos, Roberto Minczuk se retira do palco do Theatro Municipal neste sábado 9 de abril de 2011. Tudo por conta de abuso de poder que resultou na demissão de 44 músicos da OSB. Artistas de todo o mundo se manifestaram em repúdio à FOSB, responsável pelo fascismo instaurado na instituição!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Vida que não segue

Limpei a folha de qualquer rabisco. Seria a melhor forma de dar vazão ao emaranhado de ideias, linhas, pó, crostas encardidas por debaixo do móvel lustroso e vazio que me tornei?

Queria que me conhecesse como sou. Como fui? Clara, não mais que translúcida. Viva, demais pra uma cova. Santa, libido rubra acesa em romaria.

E lá se ia mais um dia sem que te visse desnuda. Tardia angústia me acometesse. Fosse aquela que desejava? Amasse aquilo que te movia? Perdesse a mim porque queria?

Era livre e nem mesmo sabia. Insistia nos antolhos do teu sorriso. Em gesso, o coração não mais sentia (deu pra me contrariar).

Foi preciso congelar tua vida pra saber quem realmente eras. Quem sou? Suspiro preso no peito, espelho sujo no leito, caminho torto qual vento.

Vida que não segue.

Piso a terra, risco teu céu.


* foto de Ana Khel