quinta-feira, 29 de julho de 2010

O Segredo dos seus Olhos


Tenho a impressão de que fui a última pessoa a descobrir Juan José Campanella. Não interessa... não me importo em ser apenas mais uma a reverenciar este diretor já consagrado por seus filmes (ainda não os vi, mas pretendo ver - todos!). O que sei é que me apaixonei pela forma como ele conduz a trama e suas personagens, pelos caminhos improváveis e mistérios que pairam no ar até o instante final. A trilha sonora de Federico Jusid e Emilio Kauderer, sensível como os olhares silenciosos. O Segredo dos Seus Olhos, do argentino, ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro este ano. Ainda está nos cinemas, mas por pouco tempo. Surpreendam-se!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Inspira Som

No claro-branco da única lâmpada acesa na casa, o barulho vem de fora, do frio, da fumaça. Dos motores que rondam essa noite de Lua quase-cheia, por detrás do nublado céu escuro-acinzentado. De dentro, ouço o atrito no asfalto, vejo as luzes duplas em movimento. Volantes olhares fixos e vozes rindo conversam sobre o dia que, mesmo ontem, no amanhã lembrará o que hoje importa. Mais uma porta bate e a buzina conforta o motorista. Daqui, ouço o silêncio inexistente em pensamento e imagino uma melodia em meio aos sons imperceptíveis aos meus ouvidos. O som este que sai do lápis ao tocar o papel (parecido com aquele das teclas)... combustível de ideias. O desenho da estória contada com letras é o lúdico do poema, é a marca do autor. Sem ele, um conto perde a cor e a prosa segue um caminho reto de leitor desatento. O que nos prende é a vontade de sentir o peso do lápis e de ouvir o ruído-alimento que fez o atrito com o papel e rompeu, com isso, a barreira do silêncio.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Mariana

Ia de dia Maria

Dia se ia Ana

De ira moleca

Ria mais que outrora

Maria ninguém dava bola

Mirava mar em ondas

Ana ria do nada

Maria de nada era

Na beira do mar, Maria

Por sobre as águas, Ana