O pano amarrado por suas extremidades marca um paralelo no horizonte e convida a outro universo. Com os pés, de leve, balanço no ar e dou partida a uma viagem de sensações...
A luz que chega com o fim da tarde por entre as nuvens, tinge em tons de amarelo o cenário monocromático e a ponta de cada folha de árvore. Um verde mais claro veste todo o entorno até o limite denso da mata fechada.
Com força, impulsiono meu corpo pro lado oposto - oposto e acima das mesmas nuvens que escondem o calor redondo do restante do céu. Logo que me encontro no lugar desejado, estico o pescoço e, em estado de êxtase atordoante, me vejo cega diante da explosão de um branco ensurdecedor. Saio do meu corpo sem perceber e me projeto na continuação do movimento primeiro. O reflexo de imediato ao susto é fechar os olhos. Fica mais fácil de me achar no escuro. E assim o faço, só que agora na descida. O que antes etéreo, dessa vez soma com maior peso à boca do meu estômago (não vejo a hora de concluir a trajetória errante deste arco!). Sinto a mudança de temperatura no meu rosto e depois de completamente estática, nos confins do meu corpo. Um instante de relógio, mas uma pequena eternidade em mim.
